Resposta direta: há 197 projetos de baterias anunciados à venda em marketplaces do setor, somando mais de 16 GW, e quase todos miram o Leilão de Reserva de Capacidade de dezembro. O que separa um projeto que vale o preço de um que vale a fila são doze verificações, e nove delas cabem em 48 horas com dado público: os cinco critérios de projeto do art. 7º da Portaria MME 136/2026, a capacidade do barramento (em regime normal e com a perda de um circuito), o nível de curto do ponto, o que a rede já corta ali, a tarifa de uso da rede, a obra de conexão, a nacionalização e o pacote de acesso. O restante é papel. Esta página é o roteiro; os links levam ao dado de cada ponto.
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No agregado, os 16 GW à venda cabem nos 129 barramentos bonificados. Ponto a ponto, não: em Caetité 230 kV há 756 MW anunciados para cerca de 106 MW de margem, em Eliseu Martins a oferta é 2,8 vezes a margem, e em dez barramentos bonificados a margem com a perda de um circuito é zero. Os números estão na análise da sobredemanda por barramento e na previsão de margem por barramento. Um projeto é um lugar na fila de um ponto específico. A due diligence é sobre o ponto tanto quanto sobre o projeto.
1. Potência e duração. Mínimo de 30 MW de disponibilidade máxima por pelo menos 4 horas consecutivas (incisos III e IV). Um "30 MW / 2 h" não é habilitável; um "30 MW / 4 h" com oversize de energia é.
2. Eficiência de ida e volta de 85 % no ponto de medição individual. Não nos terminais da bateria (inciso VI e § 1º). Transformador elevador e cabo até o ponto de medição consomem eficiência; peça a conta com as perdas declaradas, não o número do catálogo.
3. Recarga completa em até 6 horas (art. 4º, § 10, e art. 7º, VII), incluído o repouso entre carga e descarga. Isso fixa a potência de recarga mínima e, com ela, o montante de uso a contratar nos dois sentidos.
4. Requisitos mínimos de conexão, inclusive grid-forming (inciso VIII). O projeto tem de declarar conformidade com a Nota Técnica ONS/EPE de requisitos mínimos para baterias. Pergunte qual inversor e qual modo de controle; "a definir" é resposta de projeto que ainda não custou o que vai custar.
5. CVU zero, baterias novas, segurança operacional (incisos II e IX, § 2º). Formalidades que reprovam se faltarem no cadastro.
6. Capacidade remanescente para injeção e recarga. O inciso V não habilita projeto cujo barramento não tenha capacidade para a potência injetada e para a recarga. O número oficial sai na Nota Técnica de Quantitativos até 30/09. A previsão de margem por barramento já mostra, para os 129 pontos, quanto cabe no pior dos 8 patamares do ano, nos dois sentidos.
7. Margem firme. A capacidade em regime normal não é a que sustenta financiamento. A mesma página traz a margem com a perda de um circuito para todos os 129 pontos: em 10 deles ela é zero, e em 6 desses a causa é uma única linha de 138 kV no oeste da Bahia. Projeto em ponto de firme zero é projeto que depende de obra. O circuito que define a firme de cada ponto e as horas por ano em que ele fica fora estão em margem firme e probabilidade de contingência; as obras, em obras planejadas por barramento.
8. Quem mais está no ponto. A razão entre MW anunciados e margem, ponto a ponto, está na sobredemanda por barramento; a lista oficial de habilitados entra na página da habilitação em 17/11. Acima de 3 vezes a margem, alguém fica de fora.
9. Nível de curto e o que a rede já corta. Ponto com nível de curto baixo exige mais do controle do inversor e é onde o grid-forming pesa; o mapa dos barramentos mostra o nível de curto mínimo de cada ponto. E a rede já corta geração em 61 dos 141 pontos da nossa lista: o curtailment por subestação diz quanto, e corte alto de origem local é capacidade remanescente pequena.
10. Tarifa de uso da rede e montante de uso nos dois sentidos. O art. 9º, § 13, exige contratar montante de uso para descarga e recarga. A calculadora de viabilidade mostra quanto cada real por kW por mês de tarifa move o lance de equilíbrio; peça ao vendedor a tarifa do ponto na resolução homologatória, não uma média.
11. Obra de conexão. Se a conexão é em vão de subestação existente ou por seccionamento de linha — são custos de ordens diferentes, porque o seccionamento obriga a integrar uma subestação que atenda ao arranjo do item 3.1.1 do Submódulo 2.6, e a conexão em subestação existente apenas segue o arranjo que já está lá (NT-ONS DPL 0111/2025 · EPE-DEE-NT-095/2025, item 3.11). Peça também a distância até o ponto, o vão disponível e o que a transmissora vai cobrar. A ficha oficial do barramento no mapa lista as linhas, os transformadores e a transmissora de cada ponto.
12. Nacionalização e pacote de acesso. No Leilão nº 05/2026 (Armazenamento Nacional), a assinatura do contrato depende de credenciamento do sistema de baterias no BNDES (art. 10). E o vencedor precisa chegar ao dia seguinte do leilão com o acesso preparado: cadastro em Temporada de Acesso, parecer, montante de uso. A Temporada de Acesso explica o que declarar.
Ficha cadastrada na EPE (potência, duração, eficiência no ponto de medição, tempo de recarga, inversor e modo de controle); barramento candidato e nível de tensão; parecer, diagnóstico ou qualquer documento do ONS sobre o ponto; arranjo da conexão (vão em subestação existente ou seccionamento de linha); tarifa de uso da rede do ponto; se o produto é o Nacional, a rota de credenciamento no BNDES. Quem tem projeto de verdade responde em um dia.
Quanto tempo leva uma due diligence de projeto BESS? Os pontos de projeto (1 a 5) e de rede (6 a 9) saem em 48 horas com dado público e o motor de fluxo; tarifa, obra de conexão e acesso (10 a 12) dependem de documento do vendedor.
O que mais derruba projeto à venda? O barramento. O projeto é copiável; a posição no ponto não. Um barramento com margem firme zero ou com oferta muito acima da margem transforma o projeto em fila.
Projeto habilitado vale mais que projeto cadastrado? Sim, e a diferença aparece em 17/11. Até lá, o que se pode comprar é a probabilidade de habilitação, e ela é quase toda o critério de rede.
Posso comprar um projeto e mudar o barramento? Não para este leilão: o barramento candidato é o do cadastro. Para a Temporada de Acesso de 2027 ou para o mercado livre, sim, e aí a triagem de pontos alternativos é o primeiro passo.
A bonificação de 0,9 compensa um barramento apertado? Ela dá 11 % de vantagem no lance. Não compensa um ponto sem capacidade, porque sem capacidade não há habilitação.
Página criada em 02/09/2026. Requisitos conforme a Portaria Normativa MME 136/2026; as margens citadas são estimativas de engenharia por fluxo de potência sobre os casos públicos do planejamento (EPE), com método declarado. Os números oficiais são os da Nota Técnica de Quantitativos (ONS/EPE), da habilitação (EPE) e do edital (ANEEL).
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