Curtailment por subestação: quanto o ONS cortou de eólica e solar em cada barramento (2024 – ago/2026)

Resposta direta: em 2025 o ONS registrou 36,2 TWh de geração eólica e solar cortada por restrição de operação (constrained-off), e 29,4 TWh disso (81 %) saíram de conjuntos conectados em 61 das 141 subestações desta lista (as 129 bonificadas do Leilão de Reserva de Capacidade 2026 e 12 pontos do mercado). Os maiores cortes de 2025 estão em Açu III 230 kV (RN, 2.723 GWh em 10 conjuntos), João Câmara III 230 kV (RN, 2.323 GWh, com 1.167 horas de plena carga perdidas, a maior relação da lista), Janaúba 3 230 kV (MG, 1.748 GWh em só 2 conjuntos), Gentio do Ouro II 500 kV (BA, 1.583 GWh) e Morro do Chapéu II 500 kV (BA, 1.235 GWh). Por motivo, o corte de 2025 foi energético em 20,0 TWh, de confiabilidade em 12,4 TWh e elétrico em 3,8 TWh; por origem, 5,8 TWh locais e 30,4 TWh sistêmicos. Em 2026, de janeiro a agosto, o corte nas mesmas subestações já é 18,3 TWh, 15 % acima do mesmo período de 2025. Tudo a partir do dado aberto do ONS, com o método declarado abaixo.

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O que é o curtailment e de onde vem o número

Curtailment, ou constrained-off, é a geração que a usina poderia ter entregue e o ONS mandou reduzir. O operador publica isso semi-hora a semi-hora, por usina ou conjunto de usinas, nos datasets Restrição de Operação por Constrained-off das eólicas e das fotovoltaicas (dados abertos do ONS). Cada registro traz a geração verificada, a geração de referência (o que a usina faria sem restrição), o motivo e a origem da restrição:

  • Motivo ENE (energético): sobra de energia no sistema, tipicamente nas horas de sol e vento fortes com carga baixa. É o maior bloco em 2025: 20,0 TWh.
  • Motivo CNF (confiabilidade): a geração é reduzida para manter margens de segurança elétrica (inércia, tensão, reserva). 12,4 TWh.
  • Motivo REL (elétrico): indisponibilidade de um elemento de rede, linha ou transformador fora de serviço. 3,8 TWh.
  • Origem LOC (local): a restrição é de um elemento nomeado (uma linha, um trafo), e o texto do operador diz qual. Origem SIS (sistêmica): o corte é decidido para o sistema ou para um subsistema.

O corte de uma semi-hora é a diferença entre a geração de referência final e a geração verificada, vezes meia hora. Somando 2024, 2025 e 2026 até agosto, o dataset dá 12,3 TWh, 36,2 TWh e 23,9 TWh, respectivamente.

Como o corte foi atribuído a cada subestação

O dataset diz qual conjunto foi cortado, não em qual barramento ele está. A ponte é outro dado aberto do ONS, o catálogo de conjuntos com o ponto de conexão e a sua coordenada. Cada conjunto entra uma vez só, num único ponto:

  1. Pelo nome do ponto de conexão, quando ele é uma das 141 subestações da lista (com a mesma tabela de apelidos usada na ficha oficial do barramento). O nível de tensão pode ser outro da mesma subestação (o conjunto conecta em 138 kV e o barramento bonificado é o 230 kV): o corte é do sítio, e é assim que aparece.
  2. Pela distância, quando o nome não casa: ponto de conexão a até 8 km de uma subestação da lista conta como conectado nela.
  3. Ponto de conexão entre 8 e 60 km de uma subestação da lista é registrado como vizinhança (mesmo corredor, não o mesmo barramento) e fica fora dos totais da tabela. Além de 60 km, o conjunto não é atribuído.

Resultado: dos 268 conjuntos com corte no período, 202 caíram numa subestação da lista (distância mediana ao ponto de conexão: zero), 17 ficaram na vizinhança e 49 estão em subestações fora da lista (Paracatu 4, Garanhuns II, Miranda II, Extremoz II, Ribeiro Gonçalves, entre outras), somando 2,7 TWh em 2025 que não aparecem em ponto nenhum aqui.

Isto é diferente da camada "restrição de operação" que já existia no mapa, que soma o corte citado no texto das restrições locais e atribui às duas pontas de uma linha. Aqui a grandeza é o corte dos conjuntos conectados no ponto, sem dupla contagem, e inclui os cortes sistêmicos.

A tabela

Ordenada pelo corte de 2025 mais 2026. "Conjuntos (MW)" é o número de conjuntos atribuídos ao ponto e a capacidade instalada deles no catálogo do ONS. "h equiv." é o corte de 2025 dividido pela capacidade instalada, ou seja, horas de plena carga que aquele parque deixou de entregar no ano. "% local" é a parcela do corte com origem local.

Os 61 pontos com corte registrado (2024 – ago/2026), por GWh cortado em 2025 + 2026

# Subestação kV UF Conjuntos (MW) 2024 (GWh) 2025 (GWh) 2026 jan–ago (GWh) Δ jan–ago 26/25 h equiv. 2025 % local 2025 Maiores conjuntos em 2025
1 João Câmara III * 230 RN 14 (1.990) 1.007,7 2.322,6 1.825,5 + 106 % 1.167 33 Conj. Cumaru (447,2 GWh) · Conj. Monte do Ronca (288,3 GWh) · Conj. Bloco Sul (196,6 GWh)
2 Açu III * 230 RN 10 (4.577) 1.833,0 2.722,6 1.304,1 + 8 % 595 48 Conj. Caju (620,2 GWh) · Conj. Serra do Mel A (599,6 GWh) · Conj. Serra do Mel B (517,5 GWh)
3 Gentio do Ouro II 500 BA 4 (2.449) 240,0 1.583,4 1.170,1 + 9 % 647 6 Conj. Laranjeiras (535,1 GWh) · Conj. Eolico Serra do Assurua (487,1 GWh) · Conj. Santa Eugênia (338,7 GWh)
4 Janaúba 3 230 MG 2 (2.104) 227,9 1.748,2 858,9 − 29 % 831 10 Conj. Janaúba (1.113,0 GWh) · Conj. Vista Alegre - Janaúba (635,3 GWh)
5 Morro do Chapéu II 500 BA 10 (1.970) 290,2 1.234,5 719,1 − 2 % 627 9 Conj. Serra da Babilônia (321,4 GWh) · Conj. Morro do Chapéu Sul II (319,6 GWh) · Conj. Ventos da Bahia (154,0 GWh)
6 João Câmara II * 230 RN 7 (909) 389,2 1.045,0 766,4 + 64 % 1.150 35 Conj. União dos Ventos (283,8 GWh) · Conj. Santa Clara (226,0 GWh) · Conj. Morro dos Ventos (179,0 GWh)
7 Ourolândia II 230 BA 9 (3.572) 303,8 1.001,7 595,5 − 2 % 280 12 Conj. Campo Largo (361,2 GWh) · Conj. Umburanas (345,0 GWh) · Conj. Babilônia Sul (166,7 GWh)
8 Sol do Sertão 500 BA 2 (838) 260,1 915,1 587,6 − 6 % 1.092 2 Conj. Novo Horizonte (501,3 GWh) · Conj. Sol do Sertão (413,8 GWh)
9 Jaíba 500 MG 3 (1.301) 169,8 935,2 452,4 − 23 % 719 13 Conj. Sol do Cerrado (433,1 GWh) · Conj. Jaíba V (404,4 GWh) · Conj. Jaíba 138 Kv (97,7 GWh)
10 Santa Luzia II 500 PB 8 (2.322) 136,5 744,3 629,5 + 85 % 320 0 Conj. Serra do Seridó (194,5 GWh) · Conj. Oeste Serido (127,5 GWh) · Conj. Chafariz Sul II (117,7 GWh)
11 Pecém II 230 CE 7 (1.106) 295,3 929,3 437,3 + 4 % 840 0 Conj. Trairí (254,6 GWh) · Conj. Serrote A (200,8 GWh) · Conj. Faísa (194,2 GWh)
12 Curral Novo do Piauí II 500 PI 9 (2.871) 252,5 807,9 524,1 + 36 % 281 2 Conjunto Eólico Curral Novo do Piauí II 230kv (424,7 GWh) · Conjunto Eólico Curral Novo do Piauí II 500kv (145,3 GWh) · Conj. São Basílio (solar) (110,2 GWh)
13 São João do Piauí 500 PI 4 (1.409) 146,1 839,3 483,0 + 0 % 596 0 Conj. Lagoa dos Ventos (490,5 GWh) · Conj. Lagoa do Barro I (142,3 GWh) · Conj. Fv Sjp (110,4 GWh)
14 Arinos 2 500 MG 2 (1.695) 68,6 672,3 576,8 + 64 % 397 12 Conj. Arinos 2 500 Kv (672,3 GWh)
15 Queimada Nova II 500 PI 2 (1.362) 100,7 716,9 404,3 + 42 % 527 4 Conj. São Roque (428,9 GWh) · Conj. Oitis (288,0 GWh)
16 Açu II * 230 RN 8 (636) 341,9 700,4 344,0 + 18 % 1.101 38 Conj. Afonso Bezerra (210,5 GWh) · Conj. Mangue Seco (115,8 GWh) · Alegria II (90,8 GWh)
17 Ourolândia II 500 BA 3 (1.295) 93,0 588,2 440,0 + 48 % 454 10 Conjunto Eólico Ourolândia II (365,3 GWh) · Conjunto Eólico Babilonia Centro (223,0 GWh)
18 Igaporã II 230 BA 5 (484) 207,9 548,3 372,4 + 1 % 1.133 0 Conj. Araçás (206,0 GWh) · Conj. Morrão (148,1 GWh) · Conj. Caetité 123 (92,6 GWh)
19 Pindaí II 230 BA 8 (725) 163,6 506,1 384,7 + 27 % 698 0 Conj. Eólico Pindaí II 230kv (125,9 GWh) · Conj. Gpexpan (113,7 GWh) · Conj. Caetité (84,6 GWh)
20 Mossoró II 230 RN 6 (952) 348,7 635,9 232,4 − 22 % 668 38 Conj. Eólico Mossoró II 230kv (510,4 GWh) · Conj. Floresta (67,1 GWh) · Conj. Areia Branca (58,3 GWh)
21 Igaporã III 230 BA 3 (438) 144,3 477,2 356,2 + 15 % 1.090 1 Conj. Caetité Norte (243,4 GWh) · Conj. Tanque Novo (164,3 GWh) · Conj. Tamboril II (69,5 GWh)
22 Bom Nome 230 PE 2 (700) 210,9 547,6 239,0 − 20 % 783 21 Conj. Belmonte (346,5 GWh) · Conj. Ciranda (201,1 GWh)
23 Gilbués II 500 PI 3 (1.582) 89,4 392,5 344,0 + 51 % 248 0 Conj. Fotovoltaico Gilbués II 500 Kv (392,5 GWh)
24 Barreiras II 230 BA 1 (350) 108,4 359,5 277,2 + 19 % 1.027 1 Conj. Fotovoltaico Barreiras II 500 Kv (359,5 GWh)
25 Acaraú II 230 CE 4 (393) 107,8 425,8 188,1 − 9 % 1.084 0 Conj. Itarema V (232,4 GWh) · Conj. Papagaios (112,3 GWh) · Conj. Acaraú II (80,1 GWh)
26 Russas II 230 CE 5 (570) 347,0 393,8 212,2 + 28 % 690 34 Conj. Aracati II (160,8 GWh) · Conj. Pitombeira (108,9 GWh) · Conj. Jandaia (76,6 GWh)
27 Igaporã II 69 BA 1 (294) 130,6 313,2 248,6 + 16 % 1.064 0 Conj. Igaporã II (313,2 GWh)
28 Várzea da Palma 4 345 MG 1 (500) 90,8 351,7 186,4 − 9 % 703 12 Conj. Helio Valgas (351,7 GWh)
29 Sobral III 230 CE 4 (349) 145,9 373,2 142,5 − 17 % 1.071 0 Conj. Icaraí (186,0 GWh) · Praia Formosa (80,8 GWh) · Conj. Pedra Cheirosa (53,8 GWh)
30 Tabocas do Brejo Velho 230 BA 2 (276) 96,6 290,7 200,9 + 5 % 1.054 1 Conj. Ituverava (203,0 GWh) · Conj. Horizonte (87,7 GWh)
31 Senhor do Bonfim II 230 BA 2 (496) 169,0 302,0 170,2 − 12 % 609 15 Conj. Folha Larga (198,7 GWh) · Conj. Folha Larga Sul (103,3 GWh)
32 Marangatu 230 PI 1 (360) 119,4 281,1 145,4 − 12 % 781 0 Conj. Marangatu (281,1 GWh)
33 Juazeiro da Bahia II 230 BA 4 (764) 24,7 259,2 158,6 + 11 % 339 1 Conj. Delfina (123,2 GWh) · Conj. Juazeiro Solar 2 (68,2 GWh) · Conj. Juazeiro Solar (43,6 GWh)
34 Igaporã III 500 BA 4 (474) 119,2 278,1 123,9 − 31 % 586 0 Conj. Eólico Igaporã III 500kv (278,1 GWh)
35 Sobradinho 500 BA 3 (583) 85,1 238,6 156,0 + 40 % 409 5 Conj. Arizona (113,3 GWh) · Conj. Pedra Branca (99,1 GWh) · Conj. Casa Nova (26,2 GWh)
36 Pirapora 2 345 MG 1 (495) 30,1 253,6 130,0 − 13 % 512 8 Conj. Lar do Sol (253,6 GWh)
37 Mossoró IV 230 RN 3 (285) 70,7 243,5 132,2 + 34 % 856 41 Conj. Santo Inácio (158,5 GWh) · Conjunto Eólico Kairos (84,6 GWh) · Flor de Mandacaru (0,4 GWh)
38 Irecê 230 BA 2 (436) 78,8 194,3 168,8 + 47 % 445 8 Conj. Gentio do Ouro I (194,2 GWh) · Conj. Irecê 138 Kv (0,1 GWh)
39 Pirapora 2 138 MG 1 (329) 53,1 210,3 108,8 − 15 % 639 7 Conj. Pirapora 2 (210,3 GWh)
40 Bom Nome 138 PE 3 (307) 53,9 133,2 163,1 + 138 % 434 30 Conj. Brígida (71,0 GWh) · Conj. Bom Nome (60,0 GWh) · Conj. Serrita (2,2 GWh)
41 Ibiapina II 230 CE 3 (250) 72,9 192,0 81,9 − 29 % 767 0 Conj. Santa Rosália (103,2 GWh) · Conj. Cacimbas (64,9 GWh) · Malhadinha 1 (23,9 GWh)
42 Bom Jesus da Lapa 69 BA 3 (154) 43,2 147,2 102,6 + 4 % 956 6 Conj. São Pedro (52,8 GWh) · Conj. Bom Jesus (48,4 GWh) · Conj. Bjl (45,9 GWh)
43 Brotas de Macaúbas 230 BA 2 (245) 72,4 128,4 106,9 + 11 % 524 20 Conj. Brotas de Macaúbas (128,4 GWh)
44 Cauípe 230 CE 1 (201) 38,1 148,7 79,4 − 9 % 740 1 Conj. Lavras (148,7 GWh)
45 Banabuiú 230 CE 1 (230) 162,8 125,8 84,2 + 24 % 547 0 Conj. Banabuiú (125,8 GWh)
46 Campo Formoso 230 BA 1 (180) 43,8 144,1 55,7 − 43 % 800 22 Conj. Campo Formoso (144,1 GWh)
47 Chapada I 230 PI 1 (210) 40,1 100,0 90,5 + 81 % 476 7 Conj. Chapada I (100,0 GWh)
48 Chapada III 230 PI 1 (232) 17,6 99,7 90,6 + 78 % 430 2 Conj. Chapada III (99,7 GWh)
49 Alex 230 CE 1 (278) 147,9 97,2 71,5 + 33 % 349 2 Conj. Alex (97,2 GWh)
50 Tacaratu 230 PE 4 (368) 1,9 103,1 64,4 + 9 % 280 3 Conj. Tacaratu (eólico) (62,8 GWh) · Conj. Tacaratu II (35,1 GWh) · Conj. Tacaratu (solar) (5,2 GWh)
51 Coremas 230 PB 1 (216) 48,1 103,6 56,1 + 4 % 480 1 Conj. Rio Alto (103,6 GWh)
52 Abaiara 230 CE 1 (164) 47,1 97,9 54,8 − 1 % 598 1 Conj. Fotovoltaico Abaiara 230 Kv (97,9 GWh)
53 Chapada II 230 PI 1 (205) 28,0 71,5 76,5 + 124 % 349 2 Conj. Chapada II (71,5 GWh)
54 Brumado II 230 BA 1 (90) 18,0 86,3 50,8 − 13 % 958 0 Conj. Cristalândia (86,3 GWh)
55 Barreiras 69 BA 1 (95) 22,6 68,4 59,6 + 42 % 723 0 Conj. Sertão Solar Barreiras (68,4 GWh)
56 Quixeré 230 CE 1 (132) 56,4 74,8 32,7 − 30 % 567 21 Conj. Calcário (74,8 GWh)
57 Bom Jesus da Lapa 230 BA 1 (60) 6,7 45,0 33,2 + 4 % 750 1 Conj. Lapa (45,0 GWh)
58 Serra das Almas II 500 MG 1 (261) 0,0 20,7 46,1 + 15693 % 79 9 Conj. Serra das Almas II 500 Kv (20,7 GWh)
59 Aquiraz II 69 CE 1 (81) 0,0 32,8 20,6 − 1 % 405 0 Conj. Sol do Futuro (32,8 GWh)
60 Jaguaruana II 500 CE 1 (200) 0,0 0,0 47,5 — 0 — —
61 Icó 230 CE 1 (189) 0,0 0,0 37,5 — 0 — —

Os outros 80 pontos da lista não têm conjunto eólico ou solar com corte registrado nestes datasets no período — ou porque não há geração renovável conectada neles, ou porque ela está numa subestação vizinha (ver coluna de vizinhança no CSV).

* ponto do mercado (fora do Anexo II).

Δ jan–ago: variação de janeiro a agosto de 2026 sobre o mesmo período de 2025. h equiv.: MWh cortados em 2025 ÷ MW instalado dos conjuntos (horas de plena carga perdidas). % local: parcela do corte de 2025 com origem LOCAL (restrição do elemento de rede), o resto é sistêmico (energético ou confiabilidade).

O que a tabela diz para quem tem BESS em vista

O corte é energia já paga e não entregue. Um conjunto com 600 horas equivalentes de corte deixou de vender 600 horas de plena carga no ano. Um sistema de baterias no mesmo ponto de conexão carrega com a energia que seria cortada e descarrega quando o corte cessa. Isso vale para os três motivos: se a restrição é local, a bateria alivia o elemento que limita; se é sistêmica, ela desloca no tempo a energia que o sistema não quis naquela hora.

Horas equivalentes importam mais que GWh. Açu III tem o maior corte absoluto, mas com 4.577 MW de conjuntos: 595 h por MW. João Câmara III tem 1.990 MW e 1.167 h por MW, quase o dobro. Sol do Sertão 500 kV (BA) e João Câmara II 230 kV (RN) também passam de 1.000 h. A mediana dos 61 pontos com corte é de 639 h. Quanto maior essa relação, mais horas por ano uma bateria de 4 horas no ponto teria energia de graça para carregar.

O corte cresce. Nos 61 pontos, janeiro a agosto de 2026 somam 18,3 TWh contra 15,9 TWh no mesmo período de 2025. João Câmara III mais que dobrou; Santa Luzia II 500 kV (PB) cresceu 85 %; Arinos 2 500 kV (MG) e João Câmara II, 64 %. Janaúba 3 e Jaíba 500 kV (MG) caíram 29 % e 23 %.

O leilão paga potência, e o corte vira receita adicional de energia. O LRCAP 2026 remunera a capacidade do BESS pela disponibilidade (R$/kW·ano). A energia cortada é o segundo fluxo: a bateria acoplada a um parque eólico ou solar vende no mercado livre a energia que hoje é perdida. Esta página mostra onde há corte; quanto um BESS de dado tamanho recupera depende do perfil horário do corte de cada conjunto, e é isso que a triagem A-Híb entrega.

Cuidado com a leitura oposta. Corte alto num barramento também significa rede apertada naquele ponto quando a origem é local. A previsão de margem de escoamento mostra, para os mesmos 129 barramentos, quanto ainda cabe de injeção nova em regime N e N-1. Açu III, com 48 % de corte de origem local, é o caso típico: muito corte a recuperar e pouca margem para injetar mais no mesmo horário.

Por estado (corte de 2025 nas subestações da lista)

Bahia 9,7 TWh, Rio Grande do Norte 7,7 TWh, Minas Gerais 4,2 TWh, Piauí 3,3 TWh, Ceará 2,9 TWh, Paraíba 0,8 TWh e Pernambuco 0,8 TWh. Os pontos sem corte registrado são, na maioria, subestações de carga (Fortaleza II, Pecém II tem corte, mas a maior parte da capital cearense não) ou pontos onde a geração renovável está numa subestação vizinha fora da lista.

Os mesmos pontos no mapa e nas outras páginas

Fontes e método

  • ONS, dados abertos: Restrição de Operação por Constrained-off Eólica e Fotovoltaica (por usina/conjunto, semi-horário; jan/2024 a ago/2026, extraídos em 02/09/2026); Fator de Capacidade por Conjunto (catálogo de conjuntos com ponto de conexão e coordenada); Capacidade Instalada de Geração (agente proprietário por CEG).
  • Corte da semi-hora = max(geração de referência final − geração verificada, 0) × 0,5 h; só registros com motivo declarado. Verificado que o dataset tem exatamente um registro por conjunto e semi-hora, sem duplicidade por motivo.
  • Atribuição por nome do ponto de conexão (até 30 km) ou por distância (até 8 km); vizinhança até 60 km fora dos totais; o restante declarado e não atribuído. Coordenadas das subestações da lista: cadastro do ONS e base da EPE (parte com precisão de ±5 km, por isso a tolerância de 8 km).
  • Os totais desta página são os do dataset, não os de boletim; podem diferir do que o ONS divulga em relatórios consolidados por critério de fechamento (revisões de geração de referência, usinas Tipo III fora do dataset).
  • Estimativa própria da Estudos Elétricos, método declarado, sem vínculo com o ONS, a EPE ou o MME.

Publicado em 02/09/2026. Atualização prevista após a divulgação da NT de Quantitativos (NT-02) do LRCAP 2026 e ao fechamento de cada trimestre do dataset.