Estudos de Conexão para BESS — Baterias na Rede Básica e nos Leilões LRCAP

Resposta direta: para conectar uma bateria (SAE-B) na Rede Básica e disputar um leilão de reserva de capacidade, é preciso provar duas coisas antes do lance: que existe capacidade remanescente de escoamento no barramento escolhido e que a injeção do projeto não supera a capacidade de interrupção dos disjuntores da subestação. Isso se faz com estudo de fluxo de potência (ANAREDE) e de curto-circuito (ANAFAS) sobre a base oficial EPE/ONS do certame. O ponto de conexão e a potência injetável ficam congelados no cadastramento — não há segunda chance depois, e é por isso que o estudo vale mais antes do que depois.

Precisa avaliar barramentos ou conferir a margem do seu ponto? Fale direto com o engenheiro responsável: WhatsApp (67) 98131-7507 · alessandro@estudoseletricos.com


O que é o LRCAP e por que todo mundo está falando de baterias

O LRCAP — Leilão de Reserva de Capacidade — é o mecanismo pelo qual o governo contrata potência, não energia. O sistema brasileiro passou a ter aperto na ponta (fim de tarde, quando o sol se põe e a demanda sobe), e as baterias entram exatamente aí: absorvem quando sobra geração e devolvem quando o sistema precisa.

No LRCAP de Armazenamento, o produto vendido é a disponibilidade de potência. O empreendedor recebe uma Receita Fixa anual, corrigida pelo IPCA e paga em 12 parcelas mensais, para manter o sistema à disposição do ONS, que comanda carga e descarga. A energia de carga e descarga é liquidada no mercado de curto prazo ao PLD, com os resultados destinados à conta centralizadora — ou seja, não há revenue stacking: quem ganha o leilão não se apropria da arbitragem. O contrato de disponibilidade é a receita do projeto, e é isso que faz do preço de lance uma decisão sem rede de segurança.

As diretrizes estão na Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, que criou dois certames:

Certame Data Produto Característica
LRCAP 2026 – Armazenamento Nacional (Leilão nº 05/2026-ANEEL) 02/12/2026 Potência Armazenamento 2028 A exige credenciamento do sistema de baterias no Sistema CFI do BNDES (conteúdo nacional)
LRCAP 2026 – Armazenamento (Leilão nº 06/2026-ANEEL) 04/12/2026 Potência Armazenamento 2028 B aberto, inclusive a equipamento importado

Em ambos, o suprimento começa em 1º de agosto de 2028, com contrato de 15 anos. Os requisitos mínimos do sistema de armazenamento são potência de 30 MW ou mais, 4 horas de disponibilidade por ciclo, recarga completa em até 6 horas e eficiência (RTE) mínima de 85%.

296.807 MW cadastrados. 6.091 projetos. Poucos GW contratados. O cadastramento na EPE, encerrado em 31/07/2026, bateu o recorde histórico de participação em certames do setor elétrico brasileiro — 5.296 projetos (261.408 MW) no certame de conteúdo nacional e 5.734 (281.003 MW) no aberto, com o Nordeste concentrando 71,1% da potência inscrita. A contratação esperada é de outra ordem de grandeza: as estimativas públicas vão de 0,5 a 2 GW (PSR) e 2 a 5 GW (Absae) até 5 a 6 GW nas duas etapas, faixa que passou a ser atribuída ao MME. Entre um número e outro existe um funil técnico — e é nele que o projeto vive ou morre.


O funil do leilão: onde os projetos são eliminados

  1. Cadastramento (EPE). Barreira de entrada baixa, mas é aqui que ponto de conexão e potência injetável ficam travados. A vedação de alterar características técnicas após o encerramento do cadastramento é expressa (Portaria GM/MME nº 102/2016, art. 9º).
  2. Habilitação técnica (EPE/ONS). O filtro físico. Não se habilita empreendimento cujo barramento candidato apresente capacidade remanescente de escoamento inferior à potência injetada. E a superação da capacidade de interrupção de disjuntores atribuível ao projeto novo pode constituir fator impeditivo para o estabelecimento dessa capacidade.
  3. Classificação no leilão. Disputa por preço, respeitados os limites de capacidade por barramento, subárea e área do SIN. Os barramentos elegíveis à bonificação de localização (Anexo II da Portaria nº 136/2026) competem com a constante β = 0,9 — o projeto é classificado como se tivesse ofertado um preço 10% menor, sem que isso reduza a receita efetiva.
  4. Contratação. Só entra quem passou pelos três estágios e coube na quantidade demandada.

São milhares de projetos disputando pouco mais de uma centena de barramentos bonificados com margem. O estudo de conexão é o que diz, com número, se a sua cadeira existe nesse jogo.


Onde o seu projeto está agora — o calendário que decide

Este é o ponto que separa quem age de quem perde o ciclo. O cadastramento já fechou; o que ainda se decide com estudo técnico está nas próximas semanas.

Data Marco O que muda para o seu projeto
31/07/2026 Encerramento do cadastramento na EPE Passado. Ponto de conexão e potência injetável congelados.
14/09/2026 Fim das Consultas Públicas ANEEL nº 022 e 023/2026 Minutas de edital e do contrato (CRCAP) se consolidam; parâmetros econômicos do certame ficam conhecidos.
até 30/09/2026 Nota Técnica de Quantitativos da Capacidade Remanescente (ONS/EPE) O momento decisivo. Sai a margem em MW por barramento candidato, subárea e área. É quando se descobre se o ponto travado comporta a potência declarada.
novembro/2026 Resultado da Habilitação Técnica (EPE) Define quem chega ao certame — e quem precisa reagir a uma inabilitação.
02 e 04/12/2026 Certames O preço é a última variável; tudo o mais já foi decidido.

Antes da Nota de Quantitativos, a verificação de margem se apoia na metodologia já publicada (NT-01 conjunta ONS/EPE) e na relação preliminar de barramentos bonificados com capacidade remanescente do Anexo II. Depois dela, o confronto passa a ser numérico e definitivo. Nos dois casos o trabalho é o mesmo: rodar a rede, medir a folga e dizer se os 30 MW escoam.

Para localizar o seu ponto nessa relação, veja o mapa dos barramentos bonificados do LRCAP 2026 — os 129 do Anexo II sobre a Rede Básica inteira, com tensão, classificação e a procedência de cada coordenada.

Está com o ponto travado e sem saber se ele aguenta? Chame no WhatsApp e receba o escopo, o prazo e o valor por barramento.


Calculadora de viabilidade — BESS no LRCAP

Quanto o seu projeto precisa receber, por MW por ano, para pagar o investimento.

mínimo do produto: 30
exigência: 4 h
energia DC acima da contratada
antes de civil, conexão e BOS
atualize na data do estudo
REAL: a receita é corrigida pelo IPCA
Preço de Disponibilidade
Premissas avançadas — CAPEX, OPEX, degradação e augmentation
arrendamento, seguro, taxas
0 = não considerar. Sai na resolução homologatória do ponto
art. 9º, § 13 da Portaria 136/2026 — a norma exige cobrir as duas, mas não resolve a soma
use o datasheet do fornecedor
campo ÷ datasheet
quanto se repõe acima do mínimo

Lance de equilíbrio

R$ 0,6 Mfaixa de viabilidade publicada para BESS de 4 hR$ 1,6 M
CAPEX total
CAPEX all-in
US$/kWh instalado
VPL no lance informado
descontado ao WACC real
TIR real
do projeto, sem alavancagem
Degradação
Augmentation
AnoSoHEnergia útilReceitaAugmentationFluxo livre
Como ler. O lance de equilíbrio é o preço que zera o valor presente na taxa que você informou — o piso abaixo do qual o projeto destrói valor. Não é previsão do preço de fechamento do leilão, que depende dos concorrentes. A faixa verde da barra é a referência pública de viabilidade para BESS de 4 h no Brasil (R$ 0,92 a 1,25 milhão por MW ao ano, estudo da Aurora Energy Research para a ABSAE).

Limites. Modelo de pré-viabilidade: sem depreciação, crédito tributário sobre o CAPEX, valor residual, descomissionamento ou alavancagem. A receita de arbitragem não entra porque é vedada no produto — a liquidação no mercado de curto prazo vai para a conta centralizadora. Os adders, o OPEX e a alíquota de tributos são premissas de trabalho: substitua por proposta de EPC, contrato de O&M e tax memo antes de decidir.
Discutir o seu caso no WhatsApp

Quais estudos o seu projeto BESS precisa (e quando)

Fase Estudo Ferramenta O que responde
Pré-habilitação Elegibilidade locacional e margem preliminar Base EPE/ONS (Anexo II, MISCR) O barramento é bonificado? Consta da relação com capacidade remanescente?
Pré-habilitação Fluxo de potência ANAREDE Há folga térmica e de tensão para escoar a injeção — e para absorver na recarga?
Pré-habilitação Curto-circuito ANAFAS A contribuição do SAE-B supera a capacidade de interrupção dos disjuntores?
Integração (pós-outorga) Estabilidade eletromecânica ANATEM O sistema se comporta em faltas e transitórios com o BESS operando?
Integração (pós-outorga) Transitórios eletromagnéticos PSCAD Os controles do inversor, em modo formador de rede, se comportam?
Integração (pós-outorga) Validação de modelos C-HIL / campo O modelo entregue reproduz o equipamento real?

Nota importante. Para conexão em instalações de Rede Básica, DIT ou ICG, a apresentação do Parecer de Acesso é dispensada para fins de habilitação técnica. Isso não elimina o estudo — transfere a responsabilidade da decisão para o empreendedor. Quem declara um barramento sem margem é inabilitado, com o ponto travado e sem poder trocar.


A teoria por trás, sem economês e sem simulês

Fluxo de potência

É a fotografia do sistema em regime permanente: quanto flui em cada linha e transformador e qual a tensão em cada barramento. Pense numa rede de tubulações — injetar 30 MW num ponto muda a pressão (tensão) e a vazão (carregamento) em toda a vizinhança elétrica. O estudo roda cenários representativos (carga pesada, média e leve; hidrologia seca e úmida; geração renovável alta e baixa) nos dois modos do BESS — descarga, que testa o escoamento, e carga, que testa a absorção — e aplica contingências N-1 e N-2, locais e remotas. Os critérios de aprovação vêm dos Procedimentos de Rede do ONS: carregamento dentro da capacidade do equipamento e tensão dentro da faixa. Um detalhe que costuma passar batido: o cenário de recarga pode ser mais restritivo que o de injeção e reduzir ou anular a margem calculada só para a descarga. Saiba mais sobre a teoria do fluxo de carga.

Curto-circuito e superação de disjuntores

Todo disjuntor tem um limite do que consegue interromper — a capacidade de interrupção nominal, em kA. Cada fonte nova conectada eleva a corrente de curto-circuito da região. Se a bateria elevar a corrente de falta acima do que o disjuntor da subestação suporta, isso é superação — e a regra do certame é dura: superação atribuível ao empreendimento pode ser fator impeditivo, salvo recomendação de substituição do equipamento com conclusão prevista até o ano do produto.

A boa notícia é física: fontes baseadas em inversores (IBR) contribuem pouco para a corrente de falta, porque a eletrônica limita a corrente a algo próximo da nominal, em vez do comportamento de uma máquina girante. A verificação no ANAFAS continua obrigatória porque há subestações já no limite, e porque o cálculo precisa cobrir as faltas trifásica e monofásica nos cenários de curto máximo e mínimo. Saiba mais sobre estudos de curto-circuito.

Capacidade remanescente para escoamento

Cada barramento tem um espaço livre para receber geração ou armazenamento novo sem violar critérios — a capacidade remanescente para escoamento. Quem calcula o número oficial é o ONS, junto com a EPE, barramento a barramento, com metodologia publicada antes dos resultados justamente para que os agentes conheçam a régua.

O detalhe que muda tudo é o calendário: a margem definitiva só é publicada depois do cadastramento. Na prática, o empreendedor declarou o ponto às cegas — a menos que tivesse feito o próprio estudo antes. Quem não fez ainda pode antecipar o resultado com as mesmas ferramentas e a mesma base, e chegar à Nota de Quantitativos sabendo o que vai encontrar.

Quem manda em quê

  • MME — define as diretrizes e a sistemática do leilão (Portaria Normativa nº 136/2026, com a sistemática no Anexo I e os barramentos elegíveis à bonificação no Anexo II).
  • EPE — cadastra e habilita tecnicamente; publica a metodologia locacional (índice MISCR) e, junto com o ONS, os requisitos técnicos mínimos de conexão de sistemas de armazenamento.
  • ONS — opera o sistema, publica os Procedimentos de Rede e a Nota Técnica de Quantitativos da capacidade remanescente.
  • ANEEL — edital, outorga, contrato de reserva de capacidade e habilitação comercial.

Curtailment — a dor que criou o mercado

Curtailment é o corte de geração renovável: o parque eólico ou solar poderia gerar, mas o ONS manda reduzir porque a rede não escoa ou o sistema não precisa daquela energia naquele instante. No Nordeste os cortes viraram rotina — e são exatamente a dor que a bateria resolve, absorvendo o que seria cortado e devolvendo na ponta. Não é coincidência que a metodologia locacional bonifique barramentos de rede fraca com muita renovável: é onde a bateria mais ajuda o sistema, e onde o corte mais dói no bolso de quem gera.


O que você recebe

  • Relatório técnico completo, emitido com ART: elegibilidade locacional, fluxo de potência (cenários e contingências), curto-circuito com verificação de superação e parecer conclusivo por barramento.
  • Arquivos de simulação (ANAREDE/ANAFAS) sobre a base oficial do certame, entregues junto com o relatório.
  • Quadro comparativo de barramentos candidatos, para decisão de lance.
  • Revisão após a Nota de Quantitativos do ONS, confrontando a margem oficial com a potência declarada.

O escopo é modular: contrata-se a pré-habilitação agora e a fase de integração (ANATEM, PSCAD, validação de modelos) apenas se o projeto vencer.

Quer ver o formato do entregável antes de decidir? Peça o exemplar demonstrativo — um relatório-modelo completo, com a estrutura de seções, os critérios de aceitação e as tabelas de resultado.


Perguntas frequentes

Ainda dá para entrar no LRCAP de 2026? O cadastramento de projetos encerrou em 31/07/2026 — para este ciclo, o ponto de conexão e a potência já estão travados. O que ainda se decide com estudo técnico é a verificação da margem do barramento (antes e depois da Nota de Quantitativos do ONS), a reação a uma eventual inabilitação e a preparação da decisão de lance. Para quem mira os próximos ciclos, o trabalho começa antes: escolher o barramento com critério técnico é justamente o que não dá para refazer depois.

Preciso de Parecer de Acesso para me habilitar? Não, se a conexão for em Rede Básica, DIT ou ICG — a apresentação é dispensada na habilitação técnica. Mas a capacidade remanescente do barramento continua sendo critério eliminatório, e a superação de disjuntor continua sendo fator impeditivo. A dispensa do documento não é dispensa da física.

Quem calcula a capacidade remanescente do meu barramento? O número oficial é do ONS, em nota técnica conjunta com a EPE. O estudo independente antecipa esse resultado com as mesmas ferramentas e sobre a mesma base de dados, para que você chegue à publicação sabendo o que esperar — e, se o número for adverso, com tempo de reagir.

Posso trocar o ponto de conexão depois do cadastramento? Não. Ponto de conexão e potência injetável declarados ficam congelados, sob pena de não habilitação. Errar o barramento significa, na prática, perder o ciclo do leilão.

Preciso de ANATEM ou PSCAD agora? Não na pré-habilitação. Estabilidade eletromecânica (ANATEM), transitórios eletromagnéticos (PSCAD) e ensaios de validação de modelo em C-HIL pertencem à fase de integração ao SIN, posterior à outorga — e são exigências reais para quem vencer, já que a operação como formador de rede (grid-forming) é o padrão fixado para sistemas de armazenamento conectados ao SIN. O escopo é planejado em fases para você não pagar agora o que só precisa depois.

Que dados preciso enviar para um orçamento? Potência e energia do BESS (por exemplo, 30 MW / 120 MWh), os barramentos candidatos (número de barra ou nome da subestação, se já houver) e a UF. Com isso devolvemos escopo, prazo e valor por ponto de conexão.


O leilão tem data. A margem do seu barramento também.

O cronograma não espera: Nota de Quantitativos até 30 de setembro, habilitação técnica em seguida, certames em 2 e 4 de dezembro. Quanto antes o estudo, mais barramentos dá para comparar — e melhor fundamentada fica a decisão de lance.

Falar com o engenheiro responsável no WhatsApp · alessandro@estudoseletricos.com · (67) 98131-7507

Este projeto é parte de uma frente maior. Se o seu acesso não é pelo leilão e sim pelo rito comum da Rede Básica, veja a Temporada de Acesso — como declarar o MUST e quanto custa a garantia financeira, com a calculadora da GPA. Se a sua carga é um data center, o processo é o mesmo e o gargalo também. E o mapa dos barramentos localiza qualquer ponto da Rede Básica, bonificado ou não.

Veja também os demais serviços de estudos elétricos — fluxo de carga, curto-circuito, coordenação e seletividade, fluxo harmônico e laudos com ART.