Resposta direta: Esta calculadora traça a curva de suportabilidade a faltas passantes (through-fault) de um transformador conforme a IEEE C57.109, com o ponto ANSI (corrente de falta passante máxima I_max = In/Z durante 2 s, IEEE C57.12.00) e o ponto de inrush (magnetização na energização). Serve para coordenar a proteção a montante: a curva do relé/fusível deve passar abaixo da curva de dano e o instantâneo deve ficar acima do inrush.
A calculadora
A ferramenta Dano de Trafo (C57.109) vive na suíte gratuita de cálculos elétricos da Estudos Elétricos, no menu lateral da plataforma. Você informa a placa do transformador (potência Sn, tensão de referência, impedância Vcc%, número de fases), a categoria de falta (infrequente ou frequente) e o inrush (múltiplo de In e duração). A calculadora devolve a corrente nominal, a corrente de falta passante máxima, a categoria IEEE C57.109, o gráfico log-log (curva térmica + mecânica + ponto ANSI + inrush) e o critério de coordenação. A mesma curva também é plotada no coordenograma da plataforma.
O cálculo é gratuito. O memorial de cálculo em PDF é recurso de assinante.
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O que é e quando usar
Um transformador suporta uma corrente de falta passante (uma falta a jusante, que “atravessa” o trafo) por um tempo limitado, antes de sofrer dano térmico (aquecimento do enrolamento) ou mecânico (esforço eletrodinâmico entre espiras). A IEEE C57.109 define essa suportabilidade como uma curva tempo×corrente, por categoria de potência. A proteção a montante (relé ou fusível) precisa atuar antes de a curva de dano ser atingida — e não atuar na corrente de inrush (pico de magnetização ao energizar, 8 a 12 vezes a nominal).
Use a calculadora para: (1) coordenar a proteção primária sobrepondo a curva do relé/fusível à curva de dano e ao inrush; (2) localizar o ponto ANSI (In/Z durante 2 s); (3) distinguir falta frequente de infrequente (em instalações com muitas faltas, o limite mecânico governa no trecho de alta corrente).
Teoria do cálculo
Definição dos símbolos (todos na 1ª aparição):
| Símbolo | Grandeza | Unidade |
|---|---|---|
| Sn | Potência aparente nominal do transformador | kVA |
| Vn | Tensão de referência (enrolamento a que a curva se refere) | kV |
| Z | Impedância percentual (Vcc) | % |
| In | Corrente nominal | A (ou kA) |
| I_max | Corrente de falta passante máxima = In/Z (= 1/Z em pu) | kA |
| M | Múltiplo da corrente nominal (I/In) | adimensional |
| t | Tempo suportável | s |
Corrente nominal e falta passante máxima
In = Sn / (√3 · Vn) [3φ] · In = Sn / Vn [1φ]
I_max = In / (Z/100) (= 1/Z em pu, ex.: Z = 5,75% → I_max = 17,4 × In)
Duas envoltórias de dano
Curva térmica (dano por aquecimento; governa faltas infrequentes). No trecho de alta corrente ela é a reta I²t da IEEE C57.109, ancorada no ponto clássico de 25×In por 2 s (≡ Z = 4 %):
t = 1250 / M² [s] — assíntota válida acima de ~25×In (I²t = 25² · 2 = 1250)
Abaixo desse trecho a curva não é uma reta I²t: ela entorta para a direita seguindo os pontos tabelados da norma — o trafo suporta ~2×In por 1800 s, muito além do que 1250/M² preveria. A calculadora interpola os pontos canônicos da C57.109 (óleo: 25×/2 s · 11,3×/10 s · 4,75×/60 s · 2×/1800 s) ou da C57.12.59 (seco), não uma reta única.
Curva mecânica (esforço eletrodinâmico; governa faltas frequentes no trecho de alta corrente) — ancorada na impedância real do trafo, em I_max por 2 s (suportabilidade a curto da IEEE C57.12.00):
t = 2 · (I_max / M)² [s]
Curva de dano governante:
– Infrequente → só a curva térmica, em toda a faixa (Categorias I a IV).
– Frequente → térmica até a fração da categoria de I_max; acima dela, a mais restritiva entre térmica e mecânica (Categorias II a IV; a Categoria I não distingue frequência).
Ponto ANSI e inrush
Ponto ANSI = (I_max, 2 s) — máxima falta passante × tempo de suportabilidade
Inrush = (k · In, t_inrush) — k típico 8–12×In, t_inrush ~ 0,1 s
Categorias (IEEE C57.109)
A categoria define a fração de I_max onde começa a porção mecânica:
| Categoria | 1φ (kVA) | 3φ (kVA) | Porção mecânica (falta frequente) |
|---|---|---|---|
| I | 5–500 | 15–500 | — (só térmica) |
| II | 501–1667 | 501–5000 | a partir de 70% de I_max |
| III | 1668–10000 | 5001–30000 | a partir de 50% de I_max |
| IV | > 10000 | > 30000 | a partir de 50% de I_max |
Base normativa
- IEEE Std C57.109 — curvas de duração de corrente de falta passante para transformadores imersos em líquido (por categoria de potência).
- IEEE Std C57.12.00 — suportabilidade a curto: o trafo suporta
I_max = 1/Zpor 2 s (ponto mecânico/ANSI). - IEEE Std C37.91 — proteção de transformadores (coordenação da curva com a proteção).
Exemplo resolvido
Dados: transformador 3φ · Sn = 1500 kVA · Vn = 0,48 kV · Z = 5,75% · falta infrequente · inrush 12×In / 0,1 s.
Passo 1 — corrente nominal e falta passante máxima:
In = 1500 / (√3 · 0,48) = 1500 / 0,8314 ≈ 1804 A = 1,804 kA
I_max = In / 0,0575 = 1,804 / 0,0575 ≈ 31,38 kA (= 17,4 × In)
Passo 2 — categoria: 1500 kVA, 3φ → Categoria II (501–5000 kVA).
Passo 3 — pontos e curva (infrequente):
Ponto ANSI = (31,38 kA ; 2 s)
Inrush = (12 · 1,804 ; 0,1 s) = (21,65 kA ; 0,1 s)
Curva térmica em I_max (M = 17,4): t = 1250 / 17,4² ≈ 4,13 s
Passo 4 — coordenação: a curva do relé/fusível a montante deve passar abaixo da curva de dano até 31,38 kA; o elemento instantâneo deve ficar acima do ponto de inrush (21,65 kA / 0,1 s) para não atuar na energização.
Contraste — falta frequente: no mesmo trafo, selecionando frequente, a porção mecânica entra a partir de 0,7 × 31,38 ≈ 21,96 kA e governa no topo: em
I_max, a curva passa a valer 2 s (limite mecânico), bem mais restritiva que os 4,13 s do limite térmico. É a curva correta quando se espera muitas faltas passantes ao longo da vida do trafo.
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Critérios de aceitação e limites
| Item | Valor | Base |
|---|---|---|
| Ponto ANSI (tempo de suportabilidade) | 2 s em I_max = In/Z | IEEE C57.12.00 |
| Curva térmica | t = 1250 / M² | clássico 25×/2 s |
| Curva mecânica | t = 2 · (I_max/M)² | ancorada na impedância real |
| Início da porção mecânica | Cat II 70% · Cat III/IV 50% de I_max | IEEE C57.109 |
| Inrush | 8–12 × In por ~0,1 s | datasheet/ensaio (não é C57.109) |
Parâmetros normativos (conferidos): o tempo de 2 s do ponto ANSI (C57.12.00), o
K = 1250da assíntota térmica (= 25² · 2), as frações da porção mecânica (70 % Cat II · 50 % Cat III/IV) e as faixas de kVA das categorias foram conferidos contra a IEEE C57.109 / C57.12.00. A curva mecânica e o ponto ANSI usam a impedância real do transformador (I_max = In/Z), não um valor fixo. Refinamento: para as Categorias III e IV a norma soma a impedância da fonte (I_max = 1/(Z_T + Z_S)); a calculadora usa1/Z_T, uma simplificação conservadora.
Erros comuns
- Curva de dano com K fixo, ignorando a impedância. O ponto ANSI e a curva mecânica dependem de I_max = In/Z; uma curva única ancorada em Z=4% distorce a falta passante máxima de trafos com outra impedância.
- Confundir falta frequente e infrequente. A infrequente usa só o limite térmico; a frequente acrescenta o mecânico (mais restritivo no topo).
- Deixar o instantâneo atuar no inrush. O pickup instantâneo precisa ficar acima do inrush (8–12×In) e abaixo do ponto ANSI.
- Errar a categoria pela potência ou nº de fases. As faixas de kVA diferem para 1φ e 3φ.
- Referir a curva à tensão errada. Refira à tensão do barramento onde a proteção será coordenada.
Perguntas frequentes
O que é a curva de dano de um transformador?
É a curva tempo×corrente que delimita por quanto tempo o transformador suporta uma corrente de falta passante sem sofrer dano térmico ou mecânico. Em geral, a IEEE C57.109 define essa suportabilidade por categoria de potência. Portanto, a proteção a montante deve atuar abaixo dela.
O que é o ponto ANSI de um transformador?
É a corrente de falta passante máxima — igual à corrente nominal dividida pela impedância (In/Z) — que o transformador suporta por 2 segundos, conforme a IEEE C57.12.00. Em resumo, é o ponto-âncora clássico para coordenar a proteção primária.
Qual a diferença entre falta frequente e infrequente?
A infrequente considera apenas o dano térmico e usa só a curva térmica. Por outro lado, a frequente considera também o dano mecânico acumulado e, assim, acrescenta uma porção mecânica mais restritiva no trecho de alta corrente — usada quando se esperam muitas faltas ao longo da vida do trafo.
O que é a corrente de inrush e por que ela importa?
É o pico de corrente de magnetização ao energizar o transformador, tipicamente 8 a 12 vezes a corrente nominal, que decai em frações de segundo. Além disso, a proteção primária precisa não atuar nesse pico. Por isso, o ajuste instantâneo deve ficar acima do ponto de inrush.
Como sei a categoria do meu transformador?
Pela potência nominal e pelo número de fases: a IEEE C57.109 define faixas de kVA para as Categorias I a IV (diferentes para 1φ e 3φ). Consequentemente, a categoria determina se há porção mecânica na curva de falta frequente e onde ela começa (70% de I_max na Cat II, 50% nas Cat III e IV).
A curva também aparece no coordenograma da plataforma?
Sim. A mesma curva de dano, com o ponto ANSI e o inrush, é plotada no coordenograma da plataforma Arc Flash, sobre as curvas da proteção, usando o mesmo núcleo de cálculo desta calculadora.
Limitações e responsabilidade
Esta calculadora é uma ferramenta de verificação de coerência de engenharia, não um ensaio do fabricante. Afinal, os resultados dependem dos dados de placa e de premissas de modelagem; os parâmetros normativos (2 s, K = 1250, frações 70 % / 50 % das categorias) foram conferidos contra a IEEE C57.109 / C57.12.00, e o inrush deve vir do datasheet/ensaio. A ferramenta não substitui o projeto de proteção nem a ART de profissional habilitado.
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