Coordenograma de Proteção Online: como montar curvas TCC sem planilha

Resposta direta: Um coordenograma de proteção é o gráfico tempo × corrente (TCC, em escala log-log) que sobrepõe as curvas de todos os dispositivos de proteção em série — relés, disjuntores, fusíveis — junto com as referências que não podem ser violadas: curva de dano do transformador e dos cabos, corrente de inrush e o nível de curto-circuito. É nele que se verifica a seletividade (o dispositivo mais próximo da falta atua primeiro) e é dele que sai o tempo de eliminação que alimenta o estudo de energia incidente. A Arc Flash Platform monta o coordenograma online, no navegador, com biblioteca de dispositivos reais — sem planilha, sem instalação.


O que um coordenograma precisa conter (e o que costuma faltar)

Um coordenograma completo não é só "duas curvas num gráfico". Para sustentar um estudo de coordenação e seletividade, ele precisa de:

  • As curvas reais dos dispositivos em série — relé de sobrecorrente (funções 50/51) com sua curva IEC 60255-151 / IEEE C37.112 e ajustes reais, disjuntores em caixa moldada com suas curvas de disparo reais (térmico-magnéticas ou eletrônicas LSI), minidisjuntores nas curvas B/C/D da IEC 60898-1 com sua banda de tolerância, fusíveis NH com as bandas de fusão e interrupção de catálogo — não aproximações desenhadas à mão.
  • As curvas-limite do que se protege: a curva de suportabilidade do transformador (IEEE C57.109, térmica e mecânica, com o ponto ANSI) e a curva de dano dos cabos (critério k²S²).
  • Os pontos de referência operacionais: corrente de inrush do transformador (e de bancos de capacitores, quando houver), corrente de carga, e o nível de curto-circuito franco (Ibf) em cada barra — porque a curva só interessa na região de corrente que pode realmente acontecer.
  • A leitura de seletividade: em cada nível de falta, quem atua primeiro, com que margem, e onde as curvas se cruzam indevidamente.

É essa sobreposição — dispositivos × limites × pontos operacionais — que transforma o gráfico em estudo.


Por que Excel briga com coordenograma

Planilha desenha curva, mas o custo de manter isso honesto é alto: as curvas dos dispositivos reais são tabeladas (equações normatizadas com constantes por família no caso de relés; bandas de catálogo no caso de fusíveis e disjuntores) e precisam ser transcritas ponto a ponto; a escala log-log e as bandas de tolerância complicam o gráfico; e cada mudança de ajuste refaz tudo — TMS, pickup, instantâneo, cada alteração exige redesenhar e reconferir. O resultado típico é um coordenograma que ficou bonito uma vez, no dia em que foi montado, e nunca mais acompanhou a instalação.

Há um custo menos visível: na planilha, o coordenograma e o estudo de energia incidente vivem separados. O tempo de eliminação que o cálculo de Ei precisa é lido no gráfico e digitado em outro lugar — e é exatamente nessa transcrição manual que entra um erro difícil de auditar: o tempo digitado no cálculo de Ei deixa de corresponder à curva realmente ajustada.


O coordenograma na Arc Flash Platform

A plataforma monta o coordenograma no navegador, integrado ao restante do estudo:

  • Biblioteca de dispositivos reais — relés (IEC 60255-151 / IEEE C37.112), disjuntores em caixa moldada (inclusive eletrônicos), minidisjuntores B/C/D e fusíveis NH gG em banda de catálogo — com ajustes por dispositivo (pickup, TMS/dial, instantâneo).
  • Sobreposições de engenharia: curva de dano do transformador (IEEE C57.109) com ponto ANSI e inrush; curva de dano k²S² dos cabos; inrush de banco de capacitores; região de saturação de TC; curva de partida de motor; e o marcador de Ibf (falta franca) por barra.
  • Line side / bus side por barramento — o estudo distingue a proteção que limpa a falta no barramento da que limpa a falta a montante.
  • Modo manutenção (ERMS) — compare a curva normal com o ajuste de manutenção (prática do NEC 240.87) e veja o efeito direto na energia incidente.
  • O elo com a energia incidente: o tempo de eliminação sai da curva do dispositivo, na corrente de arco calculada, direto para o cálculo de Ei — sem redigitação. Coordenograma e estudo de arc flash são o mesmo fluxo, não dois arquivos.

O resultado entra no memorial de cálculo e no laudo consolidado no formato da NBR 17227:2025 §11 — com os ajustes documentados, como a gestão do estudo exige (§11.2.5: ajustes registrados e atualizados na base do estudo).


Coordenograma, NBR 17227 e a nova NR-10

O coordenograma não é um estudo isolado: é o elo do meio da cadeia exigida pelas normas. O estudo de curto-circuito define as correntes; o coordenograma define em quanto tempo cada falta é eliminada; e o tempo de eliminação define a energia incidente — que por sua vez define a etiqueta e a especificação da vestimenta (arc rating ATPV ≥ Ei). A nova NR-10 (Portaria 737/2026, vigência 06/2027) torna essa cadeia exigível sempre que as condições do Anexo IV não se aplicam — equipamento distinto do Quadro III, correntes ou tempos maiores, distâncias menores (itens 10.11.2.2 e 10.11.2.3). E a NBR 17227:2025 exige que mudanças de ajuste de proteção disparem a revisão do estudo de energia incidente (§11.3): mexeu no coordenograma, o estudo de Ei precisa refletir.

Quem entrega os dois estudos no mesmo fluxo entrega também a consistência entre eles — que é o que a fiscalização e o auditor vão conferir.


Como acessar

Comece pelo que é gratuito e sem cadastro: a suíte inclui calculadoras que alimentam o coordenograma — curva de dano de transformador (IEEE C57.109), dimensionamento de TC de proteção e seccionamento automático (NBR 5410).

A montagem do coordenograma completo — dispositivos reais, sobreposições de dano e o elo com a energia incidente — é recurso do plano completo da Arc Flash Platform (R$ 2.490/ano — todos os módulos: coordenograma, curto-circuito, arc flash, memoriais e etiquetas). Para conhecer antes de assinar, solicite a avaliação assistida de 15 dias — sem cartão:

Ver planos e solicitar avaliação →

E o motor de cálculo da plataforma tem validação pública caso a caso.


Perguntas frequentes

O que é um coordenograma de proteção? É o gráfico tempo × corrente (escala log-log) que sobrepõe as curvas de atuação dos dispositivos de proteção em série de um circuito — relés, disjuntores, fusíveis — às curvas-limite do que eles protegem (dano de transformador e de cabos) e aos pontos operacionais (inrush, carga, nível de curto). Nele se verifica a coordenação e a seletividade da proteção.

Qual a função do relé 50 e do relé 51? São funções de sobrecorrente da tabela de números ANSI/IEEE C37.2: a função 50 é a sobrecorrente instantânea (atua sem retardo intencional acima do pickup) e a função 51 é a sobrecorrente temporizada, com curva de tempo inverso (quanto maior a corrente, menor o tempo) conforme IEC 60255-151 ou IEEE C37.112. No coordenograma, a 51 aparece como curva inclinada e a 50 como corte vertical/patamar.

O que é seletividade? É a propriedade de a proteção mais próxima da falta atuar primeiro, isolando só o trecho defeituoso e mantendo o resto da instalação em serviço. No coordenograma, seletividade aparece como curvas que não se cruzam na faixa de correntes de falta possível, com margem de tempo adequada entre elas.

Dá para fazer coordenograma no Excel? Dá — a um custo alto: as curvas reais são tabeladas (equações IEC 60255-151 / IEEE C37.112 com constantes por família; bandas de catálogo para fusíveis e disjuntores), a escala log-log complica o gráfico e cada mudança de ajuste obriga a redesenhar e reconferir tudo. E o tempo de eliminação fica desacoplado do estudo de energia incidente — a transcrição manual entre os dois é uma fonte de erro difícil de auditar.

Existe coordenograma online gratuito? Existem ferramentas gratuitas que desenham curvas TCC genéricas, úteis para esboço — mas que param antes do estudo: falta a curva real do dispositivo (bandas de catálogo), o dano de trafo e cabo e o vínculo com o curto-circuito calculado. Na Arc Flash Platform, o coordenograma completo é recurso do plano anual, com avaliação assistida de 15 dias para conhecer; calculadoras pontuais relacionadas (dano de trafo, TC, seccionamento) são gratuitas na suíte.

Qual a relação entre o coordenograma e a energia incidente? O tempo de eliminação da falta — que o coordenograma determina — é um dos fatores dominantes da energia incidente: a energia cresce proporcionalmente ao tempo. Por isso ajustes de proteção mais rápidos (ou o modo manutenção/ERMS) reduzem a energia no painel, e por isso a NBR 17227:2025 exige revisar o estudo de Ei quando os ajustes mudam.


Limitações e responsabilidade

O coordenograma e o estudo de coordenação e seletividade são atos de engenharia: os resultados da plataforma alimentam o memorial e o laudo, que devem ser assinados por profissional habilitado (ART). As curvas de dispositivos vêm de fontes tabeladas (normas e catálogos); a parametrização final é responsabilidade do engenheiro que assina o estudo.


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