O estudo de energia incidente (Arc Flash) calcula a energia térmica do arco elétrico — em cal/cm² (Ei) — a que um trabalhador fica exposto e a LAS (distância onde Ei = 1,2 cal/cm²). Com base na NBR 17227:2025 / IEEE 1584:2018, o resultado define a vestimenta de ATPV ou EBT adequada e o memorial de cálculo.
O estudo de energia incidente avalia o risco de arco elétrico nas instalações elétricas, calculando a energia incidente (em cal/cm²) em cada ponto e determinando as vestimentas de proteção (EPI) por ATPV ≥ Ei necessárias. É a base para proteger trabalhadores contra queimaduras graves e para cumprir a legislação vigente.
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A energia incidente é a quantidade de energia térmica liberada por um arco elétrico que atinge uma superfície a uma distância definida. O estudo modela o sistema elétrico, calcula essa energia ponto a ponto e avalia a energia incidente de cada área. A partir desse resultado, definem-se os EPIs adequados (com ATPV compatível) e as etiquetas de advertência fixadas nos equipamentos.
A nova redação da NR-10 passou a exigir a análise de risco de arco elétrico e o estudo de energia incidente para instalações elétricas, de modo que o dimensionamento do EPI seja baseado em cálculo, e não em estimativa. Sem o estudo, não há como definir corretamente a vestimenta (ATPV ≥ Ei) nem comprovar a adesão à norma em auditorias e perícias.
O cálculo de energia incidente segue a ABNT NBR 17227:2025, alinhada à IEEE 1584:2018. O método estima a energia incidente a partir da corrente de curto-circuito presumida, do tempo de eliminação da falta pela proteção, da distância de trabalho, da abertura (gap) dos eletrodos e da configuração do equipamento. Pequenas variações nesses parâmetros mudam bastante o resultado, por isso o levantamento dos dados precisa ser criterioso.
Calcule um ponto agora, de graça. Tensão, corrente de curto, gap, distância de trabalho, configuração e tempo — a calculadora de energia incidente devolve Ei e LAS em segundos, com o mesmo motor validado caso a caso que usamos no estudo. Para a planta inteira (curto IEC 60909 por barra + coordenograma + Ei por painel + etiquetas e memorial), conheça a ArcFlash Platform.
O estudo não é “rodar uma fórmula”: é uma cadeia em que cada etapa alimenta a seguinte, e a qualidade do número final é a qualidade do elo mais fraco. É assim que conduzimos — e é o que deve constar em qualquer proposta séria.
Unifilar atualizado; transformadores (potência, impedância, ligação); cabos (seção, comprimento, material); contribuição de curto-circuito da concessionária no ponto de entrega (a máxima prevista, não a operacional de hoje); motores relevantes; dispositivos de proteção com seus ajustes reais; e a distância de trabalho de cada equipamento — a NBR 17227:2025 (Tabela 3, adaptada da IEEE 1584) traz valores típicos por classe de equipamento — 914,4 mm em CCMs e conjuntos de manobra de 5 e 15 kV, 609,6 mm em conjuntos de manobra de BT e 457,2 mm em CCMs, painéis de BT e caixas de junção — mas o §5.1.7.2 manda priorizar as distâncias reais da tarefa, levantadas com os procedimentos de cada atividade. Sem levantamento de campo quando faltam dados, o estudo nasce comprometido.
Corrente de curto-circuito simétrica inicial (Ik″) máxima e mínima e fase-terra em cada barramento. O curto é a entrada do arco: a corrente de arco é calculada a partir dele. Nosso motor de curto-circuito é verificado contra o exemplo publicado da IEC TR 60909-4 — o número que entra no arco é rastreável.
Com as curvas tempo×corrente (relés 50/51, disjuntores, fusíveis) determina-se quanto tempo a proteção a montante leva para extinguir o arco — para a corrente de arco, que é menor que a de curto franco. Por isso a IEEE 1584 manda verificar também a corrente de arco reduzida: um relé que atua rápido no curto franco pode demorar na corrente de arco, e é esse tempo que vale. É aqui que a coordenação e seletividade deixa de ser estudo separado e vira insumo direto.
Com curto, tempo, tensão, gap, distância de trabalho e configuração dos eletrodos (VCB, VCBB, HCB, VOA, HOA), calcula-se a corrente de arco, a energia incidente (Ei) na distância de trabalho e o LAS — a distância em que Ei cai a 1,2 cal/cm². O método vale de 208 V a 15 kV; acima de 15 kV usam-se métodos de triagem (OSHA 1910.269 / EPRI), fora da IEEE 1584.
O estudo não converte Ei em “categoria”. Ele diz o arc rating mínimo da vestimenta para cada ponto — e a NBR 17227 organiza o conjunto de proteção em dois patamares, as Tabelas 11 e 12 (quadro abaixo).
Etiqueta conforme a NBR 17227 (§7): energia incidente na distância de trabalho, LAS, arc rating mínimo da vestimenta e data/revisão do estudo. É o que o eletricista lê antes de abrir o painel.
Memorial de cálculo assinado por profissional legalmente habilitado, com ART. Quando um ponto dá Ei alta, o trabalho continua: mitigação — ajuste de proteção, modo manutenção (ERMS), redução do tempo de eliminação — e recálculo. E o estudo se revisa por gatilhos, não por prazo fixo: a NBR 17227 (§11.3.1) manda revisar quando a energia incidente muda — alteração de ajustes de disjuntores ou relés, troca de dispositivos de sobrecorrente, mudança de transformadores, condutores ou motores, mau desempenho da proteção, alteração do nível de curto-circuito da concessionária ou da geração interna, mudança de procedimentos que altere a distância de trabalho — e quando há revisão de normas.
Os termos deste estudo estão explicados, em verbetes curtos, no glossário de estudos elétricos.
O ATPV (Arc Thermal Performance Value) é o valor que indica a energia que uma vestimenta resiste antes do risco de queimadura de segundo grau. Com a energia incidente calculada, selecionamos vestimentas resistentes à chama com ATPV igual ou superior ao valor do ponto, garantindo proteção adequada por ATPV ≥ Ei do ponto.
A NBR 17227:2025 organiza a proteção em patamares pela energia incidente calculada. O valor de Ei define o arc rating mínimo; a tabela define o conjunto. É exatamente o que a nossa plataforma sinaliza em cada ponto:
| Energia incidente no ponto | Referência na NBR 17227 | Conjunto de proteção (resumo) |
|---|---|---|
| Ei < 1,2 cal/cm² (abaixo do LAS) | §10.1.3 — vestimenta padrão da planta | Vestimenta de proteção padrão da planta; luvas isolantes conforme a tensão de trabalho; capacete; óculos de segurança ou proteção facial; calçado de segurança |
| 1,2 ≤ Ei ≤ 12 cal/cm² | Tabela 11 | Vestimenta arc-rated com ATPV/ELIM/EBT ≥ Ei (tronco, membros superiores e inferiores); protetor facial + balaclava arc-rated ou capuz-carrasco arc-rated; luvas de couro resistentes, luvas com resistência ao arco ou luvas isolantes com protetores de couro; capacete; óculos; proteção auditiva; calçado de couro |
| Ei > 12 cal/cm² | Tabela 12 | Vestimenta arc-rated ou traje de manobra com ATPV/ELIM/EBT ≥ Ei; capuz-carrasco arc-rated obrigatório; luvas com resistência ao arco ou isolantes com protetores de couro; capacete; óculos; proteção auditiva; calçado de couro |
| Ei ≥ 40 cal/cm² (acima do arc rating usual das vestimentas, 40 cal/cm²) | Princípio do §6.3 — prevenção na fonte | A nossa plataforma sinaliza priorizar a desenergização: pela NBR 17227 (§6.3.1) a prevenção é o princípio fundamental e as atividades devem, sempre que possível, ser planejadas desenergizadas (ABNT NBR 16384, 6.2); acima desse patamar, o trabalho energizado exige justificativa e as medidas de controle do §6.3.2 |
Dois cuidados que evitam o erro mais comum: (1) o número que vai na etiqueta e na especificação é o Ei calculado na distância de trabalho — a tabela escolhe o conjunto, o Ei escolhe o arc rating; (2) as categorias do Anexo IV da NR-10 não entram aqui: são o método tabelado para quando não há estudo, e não faixas de Ei.
Pela NR-10 (Portaria MTE nº 737/2026), o EPI de proteção contra o arco elétrico é selecionado pelos Quadros do Anexo IV; fora das condições do Anexo IV, é obrigatório o estudo de energia incidente. O item 10.11.2 determina a seleção pelo Anexo IV, válida apenas para as condições ali fixadas — equipamento, máxima corrente de falha, máximo tempo de eliminação de falha e distância mínima de trabalho (item 10.11.2.1). Havendo equipamento diferente, corrente de falha superior, tempo de eliminação superior ou distância de trabalho menor, o Anexo IV não se aplica (item 10.11.2.2) e a organização deve realizar o estudo de energia incidente conforme a alínea “a” do item 10.6.5 (item 10.11.2.3).
O limiar é 1,2 cal/cm² (5 J/cm²). A NR-10 (Anexo I — Glossário) define a “distância segura contra os efeitos do arco elétrico” — sinônimo de distância limite de aproximação ao arco elétrico (LAS) — como a distância na qual a energia incidente atinge 1,2 cal/cm² (5 J/cm²), valor associado à queimadura de segundo grau. Essa distância deve ser determinada por estudo de energia incidente.
Não há conversão direta de energia incidente calculada em categoria. As categorias do Anexo IV (Quadro III) expressam o arc rating mínimo da vestimenta — ATPV ou EBT de, no mínimo, 4 cal/cm² (Categoria 1), 8 cal/cm² (Categoria 2), 25 cal/cm² (Categoria 3) e 40 cal/cm² (Categoria 4) — e não faixas de energia incidente. Quando há estudo de energia incidente (caminho exigido pelos itens 10.11.2.3 e 10.6.5 “a”), a vestimenta é especificada pelo valor: ATPV (ou EBT) maior ou igual à energia incidente calculada na distância de trabalho, conforme a norma técnica nacional ABNT NBR 17227:2025. A atribuição de categoria por tabela (Anexo IV, Quadros I e II) baseia-se no tipo de equipamento e em suas condições — não no valor calculado de Ei.
Os valores calculados servem para verificação e para a especificação de EPI sob responsabilidade de Profissional Legalmente Habilitado (PLH), conforme a NR-10. Não substituem o estudo de energia incidente formal, o projeto elétrico (item 10.4.12) nem a documentação técnica exigida.
O estudo de energia incidente é obrigatório?
Sim. A nova NR-10 exige a análise de risco de arco elétrico e o estudo de energia incidente para o correto dimensionamento dos EPIs.
Qual norma define o cálculo?
A ABNT NBR 17227:2025, alinhada à IEEE 1584:2018, define o método de cálculo da energia incidente.
Dá para calcular a energia incidente gratuitamente?
Sim, para uma estimativa rápida ponto a ponto você pode usar a nossa calculadora de energia incidente gratuita; o estudo formal, com memorial e etiquetas, é elaborado pela nossa equipe.
Quem pode elaborar e assinar o estudo de energia incidente?
Profissional legalmente habilitado (engenheiro com registro no CREA), com emissão de ART. O estudo é documento de responsabilidade técnica.
Quanto custa um estudo de energia incidente?
Depende do número de painéis e cenários, da tensão (BT/MT), de quanto da rede já está documentado e de o curto-circuito e a coordenação já existirem ou entrarem no escopo. Com unifilar e dados da concessionária em mãos, o estudo fica no piso da faixa; sem eles, o levantamento de campo pode dobrar o valor. Enviamos orçamento em 24 h a partir da lista de painéis.
Quando o estudo precisa ser refeito?
Pelos gatilhos do §11.3.1 da NBR 17227: alteração de ajustes de disjuntores ou relés, troca de dispositivos de sobrecorrente, mudança de transformadores, condutores ou motores, mau desempenho da proteção, alteração do nível de curto-circuito da concessionária ou da geração interna, mudança de procedimentos que altere a distância de trabalho — e revisão de normas. Não é um prazo fixo universal: é a mudança que dispara a revisão.
| Método | Norma de referência | Entregável |
|---|---|---|
| Cálculo de energia incidente (Arc Flash) | IEEE 1584:2018 / ABNT NBR 17227:2025 | Ei (cal/cm²) e LAS por ponto; memorial; etiqueta |
| Curto-circuito (insumo) | IEC 60909 | Corrente de curto por barra, entrada do Arc Flash |
| Coordenação da proteção | IEC 60255-151 / IEEE C37.112 | Tempo de eliminação do arco (insumo direto da Ei) |
| Seleção tabelada de EPI | NR-10 Anexo IV (NFPA 70E) | EPI por categoria, sem cálculo de Ei; só nas condições do anexo |
As categorias (método de tabela) e o cálculo de Ei são frameworks distintos: a categoria não deriva da Ei; a Ei define diretamente o ATPV/EBT.
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