Pela nova NR-10, o EPI contra o arco é selecionado pelos Quadros do Anexo IV (item 10.11.2), mas essa especificação só vale quando o equipamento cumpre ao mesmo tempo as quatro condições do anexo: tipo de equipamento, corrente de falta máxima, tempo de eliminação máximo e distância de trabalho mínima (item 10.11.2.1). Se qualquer uma ficar de fora, ou se a empresa quiser usar proteção menor que a do anexo, o estudo de energia incidente é obrigatório (itens 10.11.2.2 e 10.11.2.3). E, para provar que um painel cabe no anexo, é preciso conhecer a corrente e o tempo dele, que saem do curto-circuito e da coordenação da proteção.
Por Eng. Eletricista Alessandro da Paixão Pereira Júnior, CREA-MG 134340 · conferido no texto da Portaria MTE nº 737/2026 (NR-10) e da ABNT NBR 17227:2025 · outubro de 2026
As quatro condições do Anexo IV, painel a painel
O Quadro I do anexo lista o tipo de equipamento e, para cada um, a corrente de falta máxima, o tempo de eliminação máximo e a distância de trabalho mínima. As quatro valem juntas: basta uma fora para o anexo não se aplicar àquele equipamento (10.11.2.2).
| Equipamento | Corrente de falta máxima | Tempo de eliminação máximo | Distância de trabalho mínima | Categoria de EPI do Anexo IV |
|---|---|---|---|---|
| Painéis e outros equipamentos até 240 V | 25 kA | 0,03 s (2 ciclos) | 455 mm | 1 |
| Painéis e outros equipamentos acima de 240 V e até 600 V | 25 kA | 0,03 s (2 ciclos) | 455 mm | 2 |
| CCM de 600 V | 65 kA | 0,03 s (2 ciclos) | 455 mm | 2 |
| CCM de 600 V | 42 kA | 0,33 s (20 ciclos) | 455 mm | 4 |
| Aparelhagem de distribuição de 600 V (com disjuntores de potência ou interruptores com fusível) e quadros de distribuição de 600 V | 35 kA | 0,5 s (30 ciclos) | 455 mm | 4 |
| Outros equipamentos de 600 V (277 V a 600 V) | 65 kA | 0,03 s (2 ciclos) | 455 mm | 2 |
| Partidas de motor com contator e fusível (NEMA E2), 2,3 kV a 7,2 kV | 35 kA | 0,24 s (15 ciclos) | 910 mm | 4 |
| Aparelhagem de manobra revestida de metal, 1 kV a 15 kV | 35 kA | 0,24 s (15 ciclos) | 910 mm | 4 |
| Chave seccionadora em invólucro metálico, 1 kV a 15 kV | 35 kA | 0,24 s (15 ciclos) | 910 mm | 4 |
| Outros equipamentos de 1 kV a 15 kV | 35 kA | 0,24 s (15 ciclos) | 910 mm | 4 |
| Equipamentos resistentes a arco, até 600 V ou de 1 kV a 15 kV, com portas fechadas e travadas e dentro da sua classificação | — | — | — | não se aplica |
Fonte: NR-10, Anexo IV, Quadro I (corrente alternada), Portaria MTE nº 737/2026. Corrente e tempo são máximos; a distância é mínima. Nota do quadro: em equipamentos de até 600 V protegidos por fusíveis ou disjuntores limitadores de corrente de até 200 A, a categoria do Anexo IV pode ser reduzida em um número, sem ficar abaixo da 1. Nos equipamentos resistentes a arco com as portas abertas, vale a linha do equipamento comum.
Cada categoria de EPI do Anexo IV indica um conjunto mínimo: vestimenta com arc rating (ATPV ou EBT) de pelo menos 4, 8, 25 ou 40 cal/cm², nas categorias 1 a 4, mais a proteção de face e cabeça, luvas, capacete, óculos e calçado da tabela de EPI do anexo. A categoria do Anexo IV não é uma faixa de energia incidente (veja o verbete categoria de EPI do Anexo IV). Neste texto, “nível 4” quer dizer a categoria 4 do Anexo IV.
A condição que mais derruba: o tempo
Nas linhas dos níveis 1 e 2 (painéis até 600 V, CCMs até 65 kA e outros equipamentos de 600 V), o anexo exige que a falta seja eliminada em até 0,03 s, dois ciclos. O tempo de eliminação depende da corrente que passa pela proteção a montante, e no arco a corrente é menor que a de curto-circuito franco (NBR 17227, 5.1.8.2): com corrente menor, um disjuntor pode sair do disparo instantâneo e atuar pela curva temporizada, em décimos de segundo ou mais. Por isso a NBR 17227 manda calcular também a corrente de arco reduzida e ficar com o pior resultado (5.1.8.3). Sem o curto-circuito e o coordenograma, não há como afirmar que o painel cabe na linha de dois ciclos.
Média tensão: nível 4 até 15 kV; acima, só o estudo
De 1 kV a 15 kV, todas as linhas do Quadro I, exceto a dos equipamentos resistentes a arco, levam ao nível 4 (mínimo de 40 cal/cm²), com 910 mm de distância. O mesmo nível vale para CCMs de 600 V com até 0,33 s e para quadros de distribuição com até 0,5 s. Usar proteção menor que essa só com o estudo (10.11.2.3). Acima de 15 kV, como em 23 kV e 34,5 kV, o Quadro I não tem linha, e o estudo é obrigatório (10.11.2.2 e 10.11.2.3).
Corrente contínua: baterias e quadros CC
O Quadro II cobre baterias, quadros de corrente contínua e outras fontes CC acima de 150 V e até 600 V, com corrente de curto-circuito disponível abaixo de 10 kA, arco de até 2 s e distância de trabalho de pelo menos 455 mm; o nível vai de 2 a 4 conforme a corrente. Fora dessas condições o quadro não traz linha para o equipamento, e o caminho é o estudo. O quadro se baseia em arco ao ar livre; dentro de invólucro, o próprio anexo recomenda proteção adicional (nota 3 do Quadro II).
O que só o estudo entrega
- A distância segura de cada painel. A NR-10 manda defini-la por estudo de energia incidente (glossário, Anexo I) e a admite como proteção coletiva (10.6.5, alínea a).
- A etiqueta da NBR 17227 (7.2), com a energia incidente, a distância de trabalho e a distância segura de cada equipamento.
- Vestimenta do tamanho do risco: em vez do mínimo fixo do anexo, ATPV, EBT ou ELIM igual ou maior que a energia incidente do ponto (Tabelas 11 e 12 da NBR 17227).
- Mitigação: onde a energia sai alta, o estudo mostra o que muda com um ajuste da proteção ou outra técnica da Seção 8 da NBR 17227.
Trabalhar só desenergizado dispensa a proteção contra o arco?
Não dispensa a proteção contra o arco, pelo Anexo IV ou pelo estudo. Desenergizar é a prioridade (NR-10, 10.5.1), mas a desenergização tem manobra e constatação de ausência de tensão com o equipamento ainda não comprovadamente desenergizado. A NR-10 pede a proteção dos trabalhadores para os efeitos do arco nessa sequência (10.13.1, alínea e), e a NBR 17227 manda considerar a possibilidade de arco durante todo o processo, até a sinalização de impedimento de reenergização (10.2.2). O que a NR-10 dispensa do EPI contra arco são os trabalhadores que não fazem atividades ligadas à eletricidade e não ficam expostos a situações que possam resultar em arco, conforme a análise de risco (10.11.2.4).
Três perguntas para decidir
- Alguém manobra, mede, testa ausência de tensão ou abre painel energizado, além das operações elementares de ligar e desligar (10.14.1.1)? Se sim, há exposição ao arco, e a NR-10 se aplica (10.2.3).
- A corrente de falta e o tempo de eliminação de cada painel estão documentados? Se não, o Anexo IV não tem como ser comprovado, e o caminho começa pelo curto-circuito e pela coordenação.
- Todos os painéis cabem numa linha do Quadro I, e a empresa aceita o nível que ela indica (o 4 em toda a média tensão até 15 kV)? Se sim, documente a escolha pelo anexo. Se não, faça o estudo.
O prazo para ter isso resolvido é a entrada em vigor da nova NR-10, em 1º de junho de 2027.
Qual é o caminho da sua instalação?
Mande o unifilar e a lista de painéis pelo WhatsApp. Você recebe a primeira resposta no mesmo dia útil e a proposta no dia útil seguinte ao recebimento do unifilar.
Mandar o unifilar pelo WhatsApp Eng. Eletricista Alessandro da Paixão Pereira Júnior, CREA-MG 134340 · Estudos Elétricos EngenhariaPerguntas frequentes
O estudo de energia incidente é obrigatório pela NR-10?
A partir de 1º de junho de 2027, sim, sempre que o equipamento estiver fora das condições do Anexo IV ou quando a empresa quiser usar EPI de proteção menor que a do anexo (itens 10.11.2.2 e 10.11.2.3). Dentro das condições, a seleção do EPI pelo próprio anexo é a regra (10.11.2).
Posso usar o Anexo IV em parte da planta e o estudo no resto?
O texto aplica as condições equipamento a equipamento (10.11.2.1 e 10.11.2.2). O cuidado é ter a corrente e o tempo de cada painel enquadrado no anexo documentados, porque sem eles o enquadramento não se sustenta.
O que é a categoria de EPI do Anexo IV?
É o conjunto mínimo de EPI que o Anexo IV indica para o equipamento: vestimenta com ATPV ou EBT de pelo menos 4, 8, 25 ou 40 cal/cm² nas categorias 1 a 4, mais proteção de face e cabeça, luvas, capacete, óculos e calçado. Não é uma faixa de energia incidente; havendo estudo, a vestimenta é escolhida pelo valor calculado.
Quanto custa o estudo?
O estudo com memorial e ART custa a partir de R$ 7.200 (BT até ~10 painéis), R$ 13.200 (BT de 11 a 30 painéis) e R$ 16.500 (com MT ou subestação); várias edificações ou subestações, sob proposta. Detalhes em quanto custa um estudo de arco elétrico.