Seletividade

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Resposta direta: Seletividade é a propriedade de, diante de uma falta, apenas o dispositivo mais próximo do defeito atuar, isolando a menor parte possível do sistema. No coordenograma, aparece como curvas que não se cruzam na faixa de correntes de falta, com margem de tempo (intervalo de coordenação) entre dispositivos em série.

O que é

Coordenação e seletividade andam juntas, mas não são a mesma coisa: coordenação é o ajuste conjunto das curvas tempo-corrente dos dispositivos para que atuem de forma ordenada; seletividade é o resultado desejado — na falta, só o dispositivo a jusante opera e o restante da instalação continua alimentado. Obtém-se tornando cada dispositivo de montante mais lento (ou de maior corrente) que o de jusante, por uma margem chamada intervalo de coordenação.

Há três formas de conseguir isso. Cronométrica: escalonamento por tempo — cada dispositivo de montante atua com um atraso adicional, típico de relés temporizados (função 51). Amperimétrica: escalonamento por corrente, aproveitando a diferença de nível de curto entre barras (função 50 / instantâneo). Lógica: comunicação entre relés — o de jusante bloqueia o de montante, sem atraso cronométrico.

Por que importa no estudo

A verificação é feita no coordenograma entre bandas, não entre traços: os dispositivos têm tolerância, e a margem precisa cobri-la. A plataforma confere a seletividade por adjacência na cadeia topológica (o dispositivo de montante opera depois do de jusante, com margem), e declara "não verificado" — com o motivo — quando o par não é verificável, como fusível/MCB de curva de banda ou dois dispositivos na mesma barra.

A seletividade tem um preço que o estudo de arco precisa conhecer: o lado da fonte de cada dispositivo é eliminado pelo de montante, que é sempre mais lento por construção — então o lado da fonte é sistematicamente mais lento que o lado da carga. Como a energia incidente é linear no tempo de arco, cada 100 ms de intervalo de coordenação custam, num caso medido da plataforma, cerca de 3,1 cal/cm² no lado da fonte. Não é argumento contra coordenar, e sim para escolher o intervalo sabendo o custo — e usar o modo manutenção (ERMS) nas intervenções.

Onde aparece na norma

  • IEC 60255-151 / IEEE C37.112 — equações das curvas inversas usadas no escalonamento cronométrico.
  • ANSI/IEEE C37.2 — numeração das funções 50 (instantânea) e 51 (temporizada) envolvidas.
  • ABNT NBR 17227:2025 §11.2.5 / §11.3 — ajustes registrados e estudo de Ei revisado quando a coordenação muda.
  • Margem (intervalo de coordenação) entre relés e disjuntores: valor de prática de projeto (depende do tempo de abertura do disjuntor, do overshoot e das tolerâncias das curvas), não fixado por norma — por isso o estudo a declara.

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